Quando eu era pequeno, ainda se usavam cavalos como meio de transporte, principalmente nas fazendas, e também nas cidades pequenas.
Na época, existia um termo que não ouço há muitos anos: "cavalo passarinheiro".
Cavalo passarinheiro não era um cavalo que comia passarinhos. Era um cavalo igual aos outros, que tinha uma habilidade infalível para se livrar de cavaleiros muito pesados: ia andando no seu rítimo preferido, monótono, e de repente dava um passo para um dos lados. Umpasso lateral bem vigoroso, que darrubava qualquer cavaleiro que estivesse distraído. E olhem que era fácil, porque qualquer um fica destraído quando num rítimo monótono.
Aí, não tinha jeito. O cara caia mesmo.
Vi isso acontecer umas três ou quatro vezes com o meu sogro e, acreditem, é das coisas mais engraçadas do mundo (se o cavaleiro não for a gente).
O cavalo se chamava Bernardo, e era um bicho tão manso que as minhas filhas, com três, quatro e oito anos, passavam o dia se revezando, uma delas puxando, e as outras duas montadas. Eu também andava nele, numa boa.
Mas meu sogro tinha um cachorro, o Pituca, que era um chato de galochas, e a quem o Bernardo odiava. E quando o sogro ia cavalgar e o Piruca ia junto, o sogro caia. Sempre, e sem perdão. Mas o sogro era teimoso, e insistia.
Pois bem, hoje fui pego de surpresa. Eu não sabia que a minha bike era passarinheira.
Ela saiu de baixo de mim, e eu me ralei todo no asfalto. Sem graves consequências, mas me ralei e estou todo doído.
E tenho que agradecer a atenção que me dispensaram os companheiros do Olavo Bikers.
Juntou gente, com água, sabão, desifetante e luvas cirúrgicas. Foi um must.
Difícil foi convencer a turma de que eu estava bem, porque só se passaram cinco mese e meio da minha cirurgia no coração.
Gente, se a equipe de cirurgiões me liberou para pedalar, é porque já estou apto a cair.
Mas, valeu, gente. Obrigado a todos, e especialmente ao meu amigo Neuton que deu uma de enfermeiro. Aliás, ja não é a primeira vez que ele me socorre. Há alguns domingos ele me emprestou uma câmara de ar para terminar o passeio e voltar para casa.
Falando em voltar para casa, desta vez o Adailson, do carro de apoio, fez o favor de me trazer, porque com a queda o guidom ficou todo retorcido. E a bike ja ficou no carro de apoio para os devidos reparos.
Não sei se ela vai ficar pronta para o próximo fim de semana, mas não tem problema: posso sair com a bike de reserva.
E, querem saber de uma coisa? Estou tomando um monte de remédios para o coração, pressão, ritimo cardíaco, etc, mas nenhum deles é para o bom-senso.......