29 de novembro de 2007

Patrimônio Ameaçado


Passando pelo Largo do Arouche num dia de sol, e tendo um pouco de tempo disponível, resolvi dar um giro por lá.

Conforme o costume, o verde é sempre lindo sob o sol. E o lugar conta com monumentos ótimos (eu contei dezesseis deles!!!!), inclusive o "Depois do Banho", do Brecheret.


O problema é que as placas de identificação dos monumentos há muito que se foram, provavelmente roubadas porque eram de bronze.

A obra do Brecheret é fácil de reconhecer, mas impossível de fotografar por causa do grande número de desocupados sentados em cima dela, achando que a gente é da polícia...... Que pena, vai acabar estragando. Aliás, da maneira que cuidamos do nosso patrimônio artístico, em algum tempo não vai sobrar nada.

Quem souber que obras são essas, por favor avise. Tenho várias fotos de monumentos a serem identificados. No Site da Nossa São Paulo, http://www.nossasaopaulo.org.br/nssp.index.asp , constam todos os monumentos, mas não tem as fotos para a gente identificar.

E o Largo do Arouche também tem uma história bastante interessante. No site da Prefeitura, Consulta Histórica dos Logradouros, http://www.dicionarioderuas.com.br/ , diz o seguinte:

No início do século XIX, toda a área hoje conhecida como "Vila Buarque" era de propriedade do Tenente General José Arouche de Toledo Rendon que nasceu em São Paulo aos 14/03/1756 e faleceu no dia 26/06/1834 também em São Paulo. Doutourou-se em Direito pela Universidade de Coimbra e foi um dos melhores advogados de seu tempo. Em 1813, assumiu o comando militar das vilas do norte de São Paulo, cargo que manteve até 1820, atingindo o posto de tenente general. Participou das lutas pela Independência do Brasil, foi Deputado Constituinte e foi o primeiro Diretor da Faculdade de Direito de São Paulo. Introdutor da cultura do chá na cidade de São Paulo (por volta de 1820), transformou toda a sua chácara numa imensa plantação com mais de 54 mil pés. Antes disso porém, o General Arouche havia implantado em sua propriedade uma praça para exercícios militares que englobava os atuais "Largo do Arouche" e "Praça da República". O largo, em particular, ficou então conhecido como "praça da legião". A partir de 1810, o Marechal abriria as primeiras ruas da região entre a Praça da República e a Av. São João, mas reservou como logradouro público a área do Largo. No seu interior havia uma pequena lagoa que foi aterrada nos últimos anos do século XIX. Nesse sentido, a antiga "praça da legião" passou a ser conhecida também como "Tanque do Arouche". Em 1865 o vereador Malaquias Rogério de Salles Guerra, ao realizar uma revisão dos nomes das ruas de São Paulo, alterou aquela denominação para "Campo do Arouche". A partir de sua urbanização e calçamento em finais do século XIX, adotou-se informalmente o nome de "Largo do Arouche". Em 1910 (Lei 1.312 de 26/04) parte do largo, entre as ruas do Arouche e Sebastião Pereira passou a chamar-se "Praça Alexandre Herculano". Em 1913, através da Lei 1741 de 18/09, revogou-se a Lei 1.312 e todo o espaço voltou a ter a denominação de "Largo do Arouche".

23 de novembro de 2007

Coisas de Índio


1 - Desarmaram até o índio

Cadê a lança dele?
Tinha uma, sim.
Afinal, é o "Índio Caçador", de João Batista Ferri (Av. Vieira de Carvalho, esquina da Praça da República).
Tinha uma lança por arma de caça, mas agora só tem um toco da lança. Não faz mal. Ele não caça mesmo.....
Como a lança sumiu antes dessa onda de desarmamento da população, suponho que deva ter sido roubada, junto com a identificação da obra, que tambem era de bronze.
Aliás, pràticamente todas as placas de identificação dos monumentos da Cidade foram roubadas. Me admiro de ainda não terem sumido as próprias estátuas.

2 - Ibirapuera
Em Tupi, "ybyrá" significa árvore, ou mata; "puera", significa algo que era, mas não é mais.

Portanto, "ibirapuera" significa a mata que já não é mais mata, ou seja, um campo.
Pois não é curioso que o Ibirapuera seja, hoje, uma das poucas áreas verdes da cidade?

3 - Butantã
"yby" significa terra, solo, chão; "tã" significa duro; "tãtã" significa muito duro.
Portanto, "ybytãtã" significa terra mjuito dura.
Em porguguês, a palavra se modificou para butantã.
Não é curioso que a terra muiro dura dos índios, o nosso Butantã, fique a apenas um quilômetro do buracão do Metrô, em Pinheiros?

NOTA - Os índios tinham um som entre o "i" e o "u", bem semelhante ao "u" francês. Os dicionários tupi grafam esse som com um "y" (índio não escrevia, né?).
Dada a dificuldade dessa pronúncia, o "y" era pronunciado ora como "i", ora como "u".
Por isso, ybyrapuera ficou com "i", e ybytãtã ficou com "u" (mais a queda do "y" inicial, e a modificação do primeiro "tã" em "tan"
Complicado? Ainda não. Os portugueses usualmente trocavam (e ainda trocam) o "b" com o "v", e o "p" com o "v". Agora sim, a confusão fica legal. Tem palavras de origem tupi que, aportuguesadas, não são fáceis de identificar.

PERGUNTA: quem é o índio aquí?

22 de novembro de 2007

E Di Cavalcanti

Há uns 15 ou 20 anos, fizemos uma obra de recuperação no Teatro de Cultura Artística.

O inquilino que saiu do prédio, o antigo Canal 7, tinha feito uma série de modificações que os proprietários desejavam desfazer.

A reforma foi bastante ampla, inclusive com a recuperação do painel da fachada, feito em pastilhas de vidro, e assinado por nada menos que E. Di Cavalcanti.

Demos sorte.
Primeiro, porque os danos eram apenas desgaste do tempo, e mais alguns buracos para fixar uns cartazes (que crime!), mas os contornos dos desenhos estavam preservados.
Segundo, porque o dono da fábrica das pastilhas, que tinha feito pessoalmente as pastilhas originais, embora ja estivesse aposentado, fez questão de voltar à ativa só para refazer as pastilhas de reposição, exatamente iguais às originais.

Deu um trabalho de mico, mas valeu o esforço. Vá conferir no local.
Pena que o painel seja muito grande, e que as árvores atrapalhem a visão
Veja como a parte ensolarada é vibrante.
Ampliando a foto, dá para ver a assinatura, logo acima do último holofote da direita.
E aqui, conforme o costume, o mapa do local

19 de novembro de 2007

Rua Rutília

Quem não gostaria de morar numa rua tranquila? Muinto tranquila mesmo? Especialmente num bairro de primeira?
Pois há muitas delas em São Paulo, por incrível que pareça.
Outro dia, passeando com a turma do meu grupo de ciclismo favorito, o Olavo Bikers, nós passamos por essa ruazinha maravilhosa, lá no Jardim Paulistano.

Por ser muito estreita, não dá para fotografar as casas em conjunto - pelo menos não com o equipamento carregável na bike. Só mesmo indo lá para ver, mas vale a pena, pois é uma rua de sonhos.

O único problema é que, segundo me informaram, uma casa nessa rua custa uma nota preta.

A rua paralela, a Iraquitã, é tão bacana quanto e, também merece uma visita.

13 de novembro de 2007

Sabor de Infância

Quando eu era pequeno, nós tinhamos uma chácara em Cotia. Era uma área de uns duzentos e poucos hectares da mais viçosa mata, com uma pequena área mais ou menos central onde tinha a casas, galinheiro, pastinhos, riacho, lago e cachoeira. A estradinha de acesso era aberta no meio do mato, que mais parecia um tunel entre as árvores.




Pois é essa a recordação que me vem à cabeça quando entro na pista de Cooper da USP. Também é um tunel de árvores, de chão batido, e com o cheiro característico do mato úmido. Se você não conhece a pista da USP, tem que conhecer, não pelas fotos ao lado, pois elas não têm aquele cheirinho de mato. Vá lá, e duvido que você ache que não valeu a pena.




Tem banheiro, ao lado da trilha, perto do estacionamento








É fácil chegar, e tem estacionamento.




10 de novembro de 2007

A USP já aprendeu, e não contou prá gente




Retifico o que disse da USP. Ela faz parcerias, sim, quando lhe interessa. Veja a parceria que a USP fez com o Bradesco.


É na pista de cooper.


Então, cadê as parcerias que poderiam ser benéficas para o público? Será que não poderiam valer a pena?
Mas mudo o dito. Essa, a USP não tem mais que aprender.


1 de novembro de 2007

A USP também tem o que aprender

O caso é o seguinte: a USP se recusa a permitir que a população use o seu lindo campus como se fosse área de lazer sob o pretexto de não poder desviar recursos da sua atividade principal para manutenção de parque de recreação, que não é sua atividade principal.


Concordo em gênero, número e grau. Mas não posso acreditar que uma universidade do quilate da USP solucione o problema simplesmente proibindo o acesso ao campus (estou falando de ciclistas, é claro).


O mínimo que se pode esperar de uma universidade desse porte, é uma solução mais criativa. Afinal, é uma universidade, não é?


Pode, por exemplo, criar parcerias com instituições que se disponham a assumir a responsabilidade de prover todos os meios e recursos necessários para que a população possa usufruir daquela área, e isso sem comprometer, de forma alguma, a autonomia da USP.


Como exemplo, veja o excelente resultado obtido na Praça Vinícius de Morais (fotos ao lado), com a conservação feita por uma empresa, e que certamente não compromete em nada a autonomia da Prefeitura.


Da mesma forma que um fabricante de tenis faz a conservação de uma praça onde a população anda a pé e corre, será que nenhuma fábrica de bicicleta se interessaria por fazer o mesmo no campus da USP? Ou uma fábrica de banheiros para shows? Ou as academias de ginástica?
Aposto que faria fila na porta para fazer parcerias.

A impressão que dá é que, de tão acostumada a ensinar, a USP ja se esqueceu de aprender.

Que pena!